segunda-feira, 9 de junho de 2014

'Parceiros', mas com restrições

Preocupados com sua imagem, os maiores patrocinadores da Copa do Mundo colocam pressão sobre a Fifa para que solucione as polêmicas em relação à corrupção que assola a entidade. Diversos dirigentes da entidade que reconhecem que as grandes multinacionais têm pedido que os casos de corrupção sejam solucionados rapidamente.
Neste ano, a Fifa terá uma receita de mais de R$ 10 bilhões por conta da Copa do Mundo de 2014, a maior da história. Metade vem justamente dos grandes patrocinadores, como Adidas, Sony e Coca Cola.
Em uma declaração que revela o grau de preocupação, a gigante Adidas admitiu no último sábado que os escândalos estão criando uma imagem negativa para as multinacionais. "O tom negativo do debate público sobre Fifa não é bom para o futebol, nem para a Fifa e nem para seus parceiros", afirmou, em um comunicado.
Negociatas
Nos últimos dias, revelações sobre como cartolas da entidade estiveram envolvidos em troca de votos, negociações comerciais e outros escândalos envolvendo a Copa do Catar em 2022 voltaram a colocar a Fifa no centro de uma tormenta.
Em sua edição de ontem, o jornal Estado de S. Paulo revela como o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira mantinha relações estreitas com Mohamed Bin Hammam, suspeito de ser o operador da propina do Catar.
Nesta segunda-feira, o investigador escolhido pela Fifa para apurar as denúncias relacionadas ao Catar, Michael Garcia, entrega em São Paulo seu informe para a entidade. Mas seu conteúdo apenas será conhecido em seis semanas, depois da Copa.
Para a Adidas, esse informe precisa dar respostas. "O relatório deve ser enviado ao Comitê de Ética da Fifa", indicou a empresa. "Estamos confiantes que o assunto está sendo tratado como prioridade", apontou. "A Adidas tem longo tempo de sucesso com a Fifa e queremos continuar isso", completou.
A multinacional alemã fechou um acordo para continuar patrocinando a Fifa e as Copas do Mundo até 2030. Para 2014, a esperança é a de obter uma receita de US$ 2 bilhões graças ao Mundial no Brasil.
Maradona denuncia Fifa
Conhecido pelas declarações polêmicas, o ídolo argentino Diego Armando Maradona revelou, neste domingo, uma dinâmica de suborno à Fifa, entidade máxima do futebol internacional. Além disto, o astro afirmou ter denunciado há anos, em vão, os casos de corrupção praticados pela organização.
"Há muitos subornos na Fifa e é preciso responsabilizar aqueles que tomam conta do Mundial de 2022, no Catar", sintetizou, em entrevista ao jornal Al-Ittihad, de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, onde figura como embaixador esportivo.
Adiante, Maradona condenou a postura do astro francês Michel Platini, que "abaixou a cabeça" às irregularidades. "O futebol está subordinado aos negócios", enfatizou Maradona, que se mostrou contrário a um novo mandato do suíço Joseph Blatter na entidade.
Reportagem reveladora
Meses atrás, uma reportagem da France Football apontou que a escolha do Catar como sede do Mundial de 2022 foi conquistada sob pagamento de suborno aos jurados. O periódico francês ainda apontou como suspeito o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira.
Nos últimos dias, tanto Blatter como o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, têm insistido: direcionar os protestos contra a entidade máxima do futebol é um equívoco, já que os problemas seriam do governo brasileiro. Segundo Blatter, a Fifa jamais utilizou dinheiro público para a Copa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário