
Formar cidadãos de bem e alavancar sonhos de crianças são os maiores objetivos da Escolinha da Vila Manuel Sátiro, criada em 1977. O projeto possui cerca de 130 meninos e meninas que buscam um lazer e esporte. Além de trabalhar o futebol, a iniciativa procura desenvolver o lado humano dos garotos e educativo com acompanhamento escolar.
"Nossa programação acontece às quartas e sextas-feiras, de 17h30 às 21h30. Temos uma preleção e, depois, bola no campo. Quero evitar as drogas, as más companhias e cobrar o desempenho escolar das crianças", explica o fundador da escolinha, Francisco Paiva.
Ainda segundo ele, o projeto não recebe nenhum incentivo governamental. "Eu que dou tudo, bolas, chuteiras e manutenção do campo. Não recebo nenhum tipo de ajuda", conta.
O campo de barro duro e aberto atrapalha os jogos. Muitas vezes, as bolas são perdidas e até mesmo estouradas pelos carros. Paiva relata que, em alguns meses, precisa comprar até três bolas para repor o estoque. Cada aparato custa em média de R$70,00.
A escolinha já descobriu inúmeros talentos do futebol. Dois exemplos são os jogadores Dudu Cearense e Jonathan, que já integraram a Seleção Brasileira. Também saíram dali advogados, professores e outros atletas.
Francisco Paiva revela que, para a criação do projeto, precisou juntar a sua arte de educador e seus conhecimentos de ex-atleta. "Moro aqui há mais de 50 anos, fui dirigente, atleta e repórter esportivo. Hoje, me sinto muito feliz por estar cumprindo essa missão com muito respeito e cuidado por essas crianças".
Oportunidade
Há dois anos, o estudante Mateus Silva, 15, participa do projeto. "Foi por isso que saí do meio da rua. Agora, já estou levando o meu sobrinho", conta.
A estudante Evelynne Marinho, 13, compõe o time de crianças da escolinha há um ano. "Antes de ir para a escolinha, já gostava de futebol. Hoje em dia, gosto muito mais", garante. Ela relata que sempre perguntam como está o desempenho no colégio, ensinam a respeitar os professores e a tirar boas notas.
Pais e mães também percebem a diferença quando os filhos começam a participar da escolinha. Paiva conta que já escutou de muitos parentes que os garotos estão mais calmos e dedicados aos estudos. Segundo ele, os pais costumam acompanhar os treinos e serem, na medida do possível, bastante presentes.
"Não estou lá todos os dias, mas também procuro estar sempre presente nos aniversários, que fazemos todos os meses. Minha vida é muito envolvida com a dessa garotada. Apesar das dificuldades, a escolinha tem chegado a grandes conquistas", finaliza Paiva.
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